O Plano de Ordenamento da Reserva Natural do Paul do Boquilobo foi suspenso por dois anos para permitir a modernização da linha do Norte. A resolução do Conselho de Ministros foi publicada a 25 de Setembro no Diário da República. A obra irá incidir na reserva entre os quilómetros 95,3 e 96 numa extensão de 750 metros, e entre os quilómetros 97,5 e 97,8, numa extensão de 300 metros.O Plano de Ordenamento, aprovado em Março de 2008 quando decorria o procedimento de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) do projecto de modernização deste troço da linha do Norte, apenas permite a instalação de infra-estruturas “destinadas à gestão da reserva” e impede as alterações ao uso do solo “fora do âmbito e objectivos definidos para estas áreas”.
Segundo a resolução, a avaliação técnica realizada no âmbito da AIA concluiu que o projecto, “para além de mitigar os impactes previstos sobre a referida área protegida, designadamente sobre as áreas de protecção parcial, potencia a obtenção de mais-valias”, ou seja, “o traçado em viaduto proposto no vale noroeste da Reserva determina um reposicionamento parcial da linha para além do limite exterior da área protegida em espaço contíguo ao espaço canal actual”, assim como a “eliminação de travessias que actualmente se processam pelo interior da área protegida”.
Solicitamos alguns esclarecimentos à REFER e ao Ministério das Obras Públicas, mas até ao fecho da edição não recebemos qualquer resposta. Assim, ficamos sem saber se já existe alguma data prevista para o início da obra, nomeadamente em relação ao troço entre Mato Miranda e Riachos, ou qual o prazo de execução.
Por outro lado, também pedimos ao Instituto da Conservação da Natureza diversa informação sobre possíveis impactos da modernização da linha do Norte na reserva natural do Paul do Boquilobo e nas espécies que a frequentam, mas a resposta também não chegou.






