o riachense

Terça,
04 de Outubro de 2022
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Gustavo Faria

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Isto é um testemunho pessoal
“Tentei ser, com sucesso, o mais normal possível.”

 Há algo que me marcou para sempre, que ficou na minha vida até aos dias de hoje. Sou um cristão riachense.
A paróquia que me educou foi a de Riachos, pela mão acolhedora da catequese estimulada pela força dos escuteiros. Com gente riachense aprendi coisas sobre o cristianismo antigo e o cristianismo actual. Aprendi que há caminhos a evitar e outros, estreitos esses, a seguir com cautela e confiança.
Nos dias que correm, porque há gente que estuda e tem de fazer os trabalhos da escola e há gente que trabalha e está cansada ao fim do dia, as paróquias têm o pleno da sua actividade ao fim-de-semana. O perigo disto é deixar que, à saída das celebrações, o cristianismo se esgote nos degraus da nossa imponente igreja e não levarmos nada para as nossas casas e para os nossos trabalhos. Daquelas coisas todas que aprendi, uma achei mesmo muito importante, é que se os cristãos acreditam em Deus e nos valores da vida, do perdão e da não-violência, então têm que ser diferentes no seu dia-a-dia. Mas desde cedo percebi, todos percebemos, com mais ou menos sofrimento, que ser diferente pode trazer consequências nem sempre muito boas. Talvez fosse melhor ser igual aos outros miúdos lá da escola, a andar à briga, a jogar à bola e a fazer rasteiras aos outros, a estudar pouco e a falar nas aulas. Tentei ser, com sucesso, o mais normal possível. Se não jogasse à bola seria acusado de ser inapto para a vida social masculina (certamente que os meus amigos usariam outras palavras…), se não andasse à briga, seria o menino da mamã, se não falasse nas aulas e tivesse boas notas seria o marrão.
Sem eu saber o que era aquilo, os meus pais assumiram que me queriam mesmo como agente da diferença e inscreveram-me na Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) e eu encontrei um espaço diferente de todos na escola, onde eu poderia aprender a ser diferente e não seria criticado por isso. Se na catequese a questão de Deus estava bem mais presente, na EMRC era o modo como vivíamos e poderíamos viver que era objecto do nosso estudo. Os meus amigos da paróquia estiveram também na disciplina até ao 9º ano, mas muitos saíram quando fomos para Torres Novas. Se me tinha habituado a questionar a realidade e os meus sentimentos, pensei que algo que era bom e essencial para mim no 9º Ano, certamente seria bom e essencial no 10º e em todo o secundário. A disciplina de EMRC proporcionou-me experiências maravilhosas e depois de muitas dúvidas sobre o meu futuro, chegou um dia em que soube que era nesta área que eu deveria trabalhar. Felizmente, contaram comigo e desde 2002 que tenho ensinado na disciplina que mais me marcou como aluno.
Desde há cerca de dois anos, que lecciono em Torres Novas, cidade onde também estudei e agora convivo com antigos professores meus e onde me cruzo com alguns jovens riachenses, alguns deles cristãos. Escrevo estas palavras com a mesma tristeza com que via os meus amigos sair da disciplina e perdiam a oportunidade de viver todas as coisas boas que eu vivia. Gostava que os jovens cristãos de Riachos, estivessem nas aulas de EMRC, a adorar viver e a partilhar a sua força com outros jovens de outros lados. Talvez seja a única disciplina da escola pública que pertence mesmo aos alunos, que as questões colocadas são as suas, que as respostas certas são aquelas que a vida lhes disser que estão certas.

Gustavo Faria

Actualizado em ( Quarta, 21 Outubro 2009 16:56 )  
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