o riachense

Sexta,
21 de Julho de 2017
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 FARPADAS- Fevereiro 2010

Quando nascemos, só temos uma coisa como absolutamente certa: a morte. Mas a morte, acreditam os cristãos, é a passagem da vida cá na terra para a vida eterna. Não é o fim do caminho. É, na continuação da vida que cada um viveu, a conquista plena da felicidade. Porque Jesus Cristo venceu a morte definitivamente quando ressuscitou. É a Páscoa cristã: - Passagem da vida na terra, que implica sempre a morte, para a vida eterna, que implica sempre ressurreição.
A primeira Páscoa vem descrita na Bíblia como a passagem do povo judeu, da escravidão no Egipto, para a libertação na terra prometida. Esta passagem demorou 40 anos, desde a saída do Egipto até à entrada na terra prometida de Israel, porque era preciso que o povo todo se purificasse e começasse a ter outra forma de vida.
No Egipto, os judeus eram estrangeiros e escravos. Na terra prometida seriam soberanos e iguais. Para isso era preciso um tempo de preparação até se habituarem à nova vida. Foi por isso que Moisés começou por organizar o povo judeu em volta da lei fundamental, que são os dez mandamentos. Assim, devia desaparecer da sociedade toda e qualquer relação de domínio/submissão, e deviam passar a existir relações de colaboração/fraternidade, onde todos fossem livres e iguais.
Todos sabemos que aqueles 40 anos não foram suficientes. Até agora, depois de passarem tantos milhares de anos, e apesar de tantas revoluções, ainda são tão poucas as relações de fraternidade entre as pessoas e entre os grupos de pessoas. O que existe quase sempre são relações de domínio e de submissão.
Na primeira Páscoa, a do povo judeu, tratava-se da libertação de um povo no seu conjunto. Na segunda Páscoa, a de Jesus Cristo, trata-se da libertação de cada pessoa. Trata-se de transformar cada indivíduo, numa pessoa capaz de ser fraterna.
É este o sentido dos 40 dias de quaresma antes da Páscoa da ressurreição. Todos os anos os cristãos preparam a Páscoa com a quaresma.
Mas assim como os 40 anos não foram suficientes para transformar o povo judeu num povo fraterno, assim também os 40 dias da quaresma não são suficientes para transformar as pessoas em irmãos uns dos outros. A quaresma é para mobilizar os cristãos, de maneira mais forte durante 40 dias por ano, para a luta que é preciso travar, todos os dias da vida, contra tudo o que tenha que ver com domínio/sujeição, e pela colaboração/fraternidade. Luta esta que tem que ser colectiva, mas que tem que ser também individual. Ninguém pode ficar de fora. E é porque muitos ficam de fora, que ainda estamos tão longe de chegar à fraternidade que Jesus Cristo já atingiu há dois mil anos.

Todos os países ricos se dizem cristãos, ou pelo menos de cultura cristã. Mas sempre que há uma provocação da parte de países não cristãos, a resposta é sempre a mesma: -guerra. A resposta é sempre ligada à relação de domínio/submissão. Nunca foi tentada uma resposta no sentido de criar relações de colaboração. E não é porque seja mais cara a tentativa de ajuda fraterna, porque a guerra é sempre mais cara do que a solidariedade. Para a solidariedade nunca há dinheiro, mas para a guerra o dinheiro nunca falta. Os países ditos cristãos, quando há problemas, preferem sempre a solução baseada na guerra do que na colaboração.
É por isso que a resposta para o Iraque e o Afeganistão foi e continua a ser a guerra. E agora não sabem como acabar com ela. Os que têm mais força querem sempre dominar, nunca querem colaborar.
A primeira vez na história da humanidade em que alguns povos escolheram a via da colaboração e não a via da guerra, são os povos que tentam construir a União Europeia. Apesar de todas as dificuldades encontradas, o caminho vai sendo percorrido. Mas porque é a primeira vez na história, os que são contra a solidariedade entre pessoas e povos, estão sempre a lançar armadilhas, a tentar dificultar a construção de uma verdadeira fraternidade entre povos.
Agora que os ricos dizem que há crise, seria uma excelente oportunidade para, na discussão dos orçamentos de estado, fazer avançar um pouco o caminho da solidariedade. No entanto o que se vê é exactamente o contrário. Aproveitam a crise para esmagar mais e mais.

Este ano de 2010 está a ser difícil para os rapazes do meu ano. Já não somos muitos, mas mesmo assim, já morreram dois este ano, e ainda só passou um mês e quatro dias. Foi o António Domingos Lopes no dia 19 de Janeiro e o João Cebola 15 dias depois. Espero que no resto do ano as coisas mudem, porque nós ainda não chegámos a realizar todos os nossos sonhos. Mas, se é verdade que nunca devemos perder tempo porque ele é sempre pouco, agora temos que aproveitar melhor o pouco que nos resta.
E nunca esqueçamos que “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”!

Actualizado em ( Quinta, 27 Janeiro 2011 15:16 )  

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