o riachense

TerÁa,
25 de Abril de 2017
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 FARPADAS- Fevereiro 2010

Quando nascemos, s√≥ temos uma coisa como absolutamente certa: a morte. Mas a morte, acreditam os crist√£os, √© a passagem da vida c√° na terra para a vida eterna. N√£o √© o fim do caminho. √Č, na continua√ß√£o da vida que cada um viveu, a conquista plena da felicidade. Porque Jesus Cristo venceu a morte definitivamente quando ressuscitou. √Č a P√°scoa crist√£: - Passagem da vida na terra, que implica sempre a morte, para a vida eterna, que implica sempre ressurrei√ß√£o.
A primeira Páscoa vem descrita na Bíblia como a passagem do povo judeu, da escravidão no Egipto, para a libertação na terra prometida. Esta passagem demorou 40 anos, desde a saída do Egipto até à entrada na terra prometida de Israel, porque era preciso que o povo todo se purificasse e começasse a ter outra forma de vida.
No Egipto, os judeus eram estrangeiros e escravos. Na terra prometida seriam soberanos e iguais. Para isso era preciso um tempo de prepara√ß√£o at√© se habituarem √† nova vida. Foi por isso que Mois√©s come√ßou por organizar o povo judeu em volta da lei fundamental, que s√£o os dez mandamentos. Assim, devia desaparecer da sociedade toda e qualquer rela√ß√£o de dom√≠nio/submiss√£o, e deviam passar a existir rela√ß√Ķes de colabora√ß√£o/fraternidade, onde todos fossem livres e iguais.
Todos sabemos que aqueles 40 anos n√£o foram suficientes. At√© agora, depois de passarem tantos milhares de anos, e apesar de tantas revolu√ß√Ķes, ainda s√£o t√£o poucas as rela√ß√Ķes de fraternidade entre as pessoas e entre os grupos de pessoas. O que existe quase sempre s√£o rela√ß√Ķes de dom√≠nio e de submiss√£o.
Na primeira Páscoa, a do povo judeu, tratava-se da libertação de um povo no seu conjunto. Na segunda Páscoa, a de Jesus Cristo, trata-se da libertação de cada pessoa. Trata-se de transformar cada indivíduo, numa pessoa capaz de ser fraterna.
√Č este o sentido dos 40 dias de quaresma antes da P√°scoa da ressurrei√ß√£o. Todos os anos os crist√£os preparam a P√°scoa com a quaresma.
Mas assim como os 40 anos não foram suficientes para transformar o povo judeu num povo fraterno, assim também os 40 dias da quaresma não são suficientes para transformar as pessoas em irmãos uns dos outros. A quaresma é para mobilizar os cristãos, de maneira mais forte durante 40 dias por ano, para a luta que é preciso travar, todos os dias da vida, contra tudo o que tenha que ver com domínio/sujeição, e pela colaboração/fraternidade. Luta esta que tem que ser colectiva, mas que tem que ser também individual. Ninguém pode ficar de fora. E é porque muitos ficam de fora, que ainda estamos tão longe de chegar à fraternidade que Jesus Cristo já atingiu há dois mil anos.

Todos os pa√≠ses ricos se dizem crist√£os, ou pelo menos de cultura crist√£. Mas sempre que h√° uma provoca√ß√£o da parte de pa√≠ses n√£o crist√£os, a resposta √© sempre a mesma: -guerra. A resposta √© sempre ligada √† rela√ß√£o de dom√≠nio/submiss√£o. Nunca foi tentada uma resposta no sentido de criar rela√ß√Ķes de colabora√ß√£o. E n√£o √© porque seja mais cara a tentativa de ajuda fraterna, porque a guerra √© sempre mais cara do que a solidariedade. Para a solidariedade nunca h√° dinheiro, mas para a guerra o dinheiro nunca falta. Os pa√≠ses ditos crist√£os, quando h√° problemas, preferem sempre a solu√ß√£o baseada na guerra do que na colabora√ß√£o.
√Č por isso que a resposta para o Iraque e o Afeganist√£o foi e continua a ser a guerra. E agora n√£o sabem como acabar com ela. Os que t√™m mais for√ßa querem sempre dominar, nunca querem colaborar.
A primeira vez na história da humanidade em que alguns povos escolheram a via da colaboração e não a via da guerra, são os povos que tentam construir a União Europeia. Apesar de todas as dificuldades encontradas, o caminho vai sendo percorrido. Mas porque é a primeira vez na história, os que são contra a solidariedade entre pessoas e povos, estão sempre a lançar armadilhas, a tentar dificultar a construção de uma verdadeira fraternidade entre povos.
Agora que os ricos dizem que há crise, seria uma excelente oportunidade para, na discussão dos orçamentos de estado, fazer avançar um pouco o caminho da solidariedade. No entanto o que se vê é exactamente o contrário. Aproveitam a crise para esmagar mais e mais.

Este ano de 2010 está a ser difícil para os rapazes do meu ano. Já não somos muitos, mas mesmo assim, já morreram dois este ano, e ainda só passou um mês e quatro dias. Foi o António Domingos Lopes no dia 19 de Janeiro e o João Cebola 15 dias depois. Espero que no resto do ano as coisas mudem, porque nós ainda não chegámos a realizar todos os nossos sonhos. Mas, se é verdade que nunca devemos perder tempo porque ele é sempre pouco, agora temos que aproveitar melhor o pouco que nos resta.
E nunca esque√ßamos que ‚Äúhoje √© o primeiro dia do resto da minha vida‚ÄĚ!

Actualizado em ( Quinta, 27 Janeiro 2011 15:16 )  

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