o riachense

SŠbado,
30 de Setembro de 2023
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Carlos Sim√Ķes Nuno

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Boletim Meteorológico

 

Como é linda a natureza

Andava um lacrau a deambular pelos campos, quando chegou junto a um ribeiro que logo lhe apeteceu atravessar. N√£o sabendo nadar, procurou o lacrau quem o carregasse para a outra margem e encontrou uma r√£, prestes a entrar na √°gua.
- √ď r√£, rogou ele, n√£o me levas √†s cavalitas at√© ao outro lado?
Desconfiada de tal personagem, logo a rã deu dois saltinhos atrás e respondeu: o que o senhor lacrau quer é ferrar-me o aguilhão nos costados...
- √ď r√£, francamente, que patetice √© essa? O que √© que eu ganhava com isso? N√£o v√™s que, assim, logo eu me afogava? - cantou-lhe o lacrau em resposta.
Pouco convencida mas não encontrando falhas naquela lógica, a rã lá acedeu a servir de transporte ao peçonhento bicho. Ainda nem tinham chegado a meio da corrente, contudo, quando a rã sentiu a fatal ferroada do lacrau bem no meio das costas.
- Para que fizeste tu essa estupidez? ainda teve tempo de se indignar, j√° meio morta pelo veneno.
- O que é que tu queres, ó rã? - justificou-se o lacrau antes de se afundar - é esta a minha natureza...
N√£o sei se o preclaro leitor j√° recuperou do desastre anunciado a semana passada pela dupla de porta-vozes da banca internacional S√≥crates & Santos, mas se ainda estiver como eu um bocado estupefacto, pasmo e at√≥nito, n√£o com o d√©fice p√ļblico, que esse era mais que conhecido e via-se a olho n√ļ, mas com as receitas que aqueles empregados banc√°rios dizem que o vai resolver, ent√£o talvez valha a pena ler, entre centenas de exemplos que todos pod√≠amos invocar, a hist√≥ria contada por Ferreira Fernandes no Di√°rio de Not√≠cias de 30 de Setembro, a do vogal de uma das v√°rias dezenas de empresas p√ļblicas que para uma reuni√£o no Porto, n√£o gostando de fazer a viagem de carro desde Lisboa, pela auto-estrada fora, foi de avi√£o at√© Pedras Rubras... onde o esperava o motorista da empresa, a quem o senhor mandou ir de carro pela tal auto-estrada enquanto ele voava sobre ela, para ter quem o levasse do aeroporto √† baixa da cidade e, ap√≥s a reuni√£o, o transportar de novo ao aeroporto para o regresso a Lisboa, voltando o homem outra vez de carrinho √†s costas auto-estrada fora, at√© √† capital.
Se ainda se sente meio espantado, aturdido e pasmado com a facilidade com que se chegou a este estado das coisas, recorde-se do cerca de um milhar de processos de classificação
de monumentos, de pontes a igrejas, de castros a palacetes por todo o pa√≠s, muitos destes processos aos repel√Ķes ou a ganhar p√≥ h√° vinte anos ou mais e que ir√£o prescrever e ser encerrados no final deste ano, sem gl√≥ria nem proveito, enquanto o minist√©rio da cultura, inchado de novo riquismo, se entretinha a classificar edif√≠cios ‚Äúem risco‚ÄĚ e a ‚Äúprecisar de valoriza√ß√£o‚ÄĚ... como o Centro Cultural de Bel√©m! Basta que algu√©m, no IPPC/IPPAR/IGESPAR tenha perdido apenas quatro dias com cada um daqueles processos para daqui a pouco cerca de 12 anos de trabalho irem para o lixo...
No caso de ainda lhe custar a encaixar quer o diagnóstico quer a terapêutica, que muito provavelmente irá matar o doente, e por isso estiver assim a modos que azamboado,
admirado e entontecido com tudo isto, leia outra vez a notícia, para ver se desta vez acredita, de que a PSP vai comprar (sem concurso
p√ļblico, naturalmente) cinco - milh√Ķes de euros ‚Äď cinco em material como blindados urbanos e outros brinquedos do g√©nero, a pretexto da protec√ß√£o de suas excel√™ncias na pr√≥xima cimeira da NATO, a realizar em Lisboa em Novembro.
Enfim, para n√£o ma√ßar mais e deixar mat√©ria para muitas outras conversas, que se v√£o justificar quando, antes da P√°scoa, vier o an√ļncio do pr√≥ximo apert√£o ‚Äď √© mais que garantido, S√≥crates j√° disse que isso n√£o acontecer√°! ‚Äď caso ainda esteja, como eu estou, surpreendido, atordoado e assarapantado, tem sempre os submarinos (goste-se ou n√£o, para quem quiser pensar Portas disse a semana passada a frase pol√≠tica do ano, quando S√≥crates lhe atirava √† cara a responsabilidade por esta aberra√ß√£o e ele respondeu que Teixeira dos Santos e o pr√≥prio S√≥crates eram membros do governo que assinou o contrato de compra), as centenas de funda√ß√Ķes p√ļblicas e semi-p√ļblicas, os Coelhos, os Varas, os Dias Loureiros, as entidades reguladoras, incluindo as c√≥micas como a da Concorr√™ncia, as frotas autom√≥veis, os subs√≠dios de reinser√ß√£o profissional (olha, estes n√£o acham eles despropositados!), as reformas dos deputados, os dias da defesa nacional e demais entret√©ns de boca e exemplos de criatividade.
Se estiver, apenas, indignado e envergonhado por viver nestes tempos e ter de partilhar o oxig√©nio com personagens como Almeida Santos, autor da frase mais salazarista p√≥s-25 de Abril (‚Äúo povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre‚ÄĚ), saiba que j√° somos dois.
Se eles podiam fazer as coisas de outra maneira, ó garbosos leitor? Então não podiam?! Só que não era apenas isso assim não ser a mesma coisa, é que, pura e simplesmente, é esta a sua natureza.
O que eu ainda não compreendi bem, o que ainda não consegui responder, é outra coisa: e nós? Afinal, qual é a nossa natureza?

Actualizado em ( Quinta, 21 Outubro 2010 09:11 )  
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