o riachense

Sexta,
21 de Julho de 2017
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O cavaleiro das artes

Acabava de te enviar um e-mail, meu amigo, quando entrei no Facebook. É uma daquelas modernices onde todos diariamente nos conferimos e podemos falar e dar recados uns aos outros.
E descubro que morreste. Assim de repente, com tudo a acontecer.
Já e nunca. Já não valia a pena ter escrito o mail pois nunca o poderás responder.
A morte ao que parece é isso mesmo. Já e nunca.
Num momento estamos, no outro surpreendemos toda a gente e já não somos mais do que a memória do que fomos.
Seremos, ao que dizem, numa outra dimensão, de onde, sorrindo, nos vingamos das humanas dores e aflições. Eu desconfiado, sei que fico, para já, com a memória imensa que em mim perdura. Essa, ninguém me rouba.
Dizem que partir assim é a melhor morte para quem parte. Mas é a pior para nós, amigos, que ficamos de boca aberta, sem saber o que dizer.
Não se faz, Carlos!
Quantos dias e quantas noites bonitas vivemos por esse país fora! Terras de Bouro, Figueiró dos Vinhos, Leiria,… lembras-te? O país real que redescobriste, encantado, sobretudo depois do “Acontece”. Como irmãos, cúmplices e companheiros desta guerra imensa da cultura.
Foste um cavaleiro. Um homem que estabeleceu pontes entre esquerda e direita; sempre em nome do sonho e da cultura.
Agora que tudo estava a relançar-se bem e entusiasmante, o corpo disse não. Ainda não acredito.
Como vou ter coragem de apagar o teu telemóvel? Como vamos deixar de trocar as brejeirices de eternos Epicuros sem maldade? Onde encontrar ouvidos para te enviar as piadas que eu escolhia como mais inteligentes? Como vamos assim, outra vez, por essa estrada fora, fazer aquelas “palestras-concerto-galeria fotográfica” que tanto gozo nos dava fazer?
Passavas a vida a dar-me estímulo e apreço. E eras genuíno no teu viver demais. Nos últimos 20 anos estiveste em quase todos os momentos maiores da minha vida.
E agora que, tudo indica, ias começar outra vez com a Tele-cinco e já pensaras outro “Acontece”, em maior, mais livre e mais abrangente. Agora, que andavas com tanto entusiasmo entre a RTP Memória e o teu “Acontece” rádio. Que inundava Portugal das notícias de cultura que nunca mais as rádios locais poderão de outro modo noticiar.
E agora?
Se pelas ilhas distantes ou serranias frias de um interior abandonado à sua sorte ainda se ia sabendo da estreia de uma peça, uma ópera, ou do lançamento de um disco de qualidade ou de um livro, eras graças a ti.
Agora, não sei como vai ser. Fica um vazio imenso.
Pois homens como tu não nascem todos os dias. E atingir o conhecimento maior das coisas demora muito tempo.
Partir assim, não se faz, Carlos. Fazes-nos falta!
Já somos tão poucos a pugnar por um país mais culto, mais sério e mais além...
Procuro as palavras da despedida.
Já e agora, pensando bem, são coisas que passam.
Nunca …é triste demais para ser verdade.
Prefiro sempre. É isso.
Tu ficas para sempre.

Actualizado em ( Quinta, 23 Dezembro 2010 10:24 )  

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