o riachense

TerÁa,
23 de Maio de 2017
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Enrascados

‚ÄúSe cada um dos 10 milh√Ķes de portugueses entregasse hoje ao Estado 20.000 euros, a d√≠vida p√ļblica estava integralmente paga, e ainda sobrava qualquer coisita para governar durante 2 ou 3 dias. Depois disso, se nesses 2 ou 3 dias nada fosse feito para reduzir a despesa p√ļblica, o pa√≠s come√ßaria a entrar imediatamente em fal√™ncia t√©cnica. N√£o me parece, portanto, que haja uma solu√ß√£o f√°cil.‚ÄĚ

H√° pouco tempo, talvez 4 ou 5 anos, insisti em deixar nestas p√°ginas alertas sobre aquilo que estava prestes a acontecer-nos, e que agora nos est√° a cair em cima. Pensei ingenuamente que atrav√©s de palavras pudesse contribuir para que houvesse aqui entre n√≥s, nesta nossa comunidade, uma tomada de consci√™ncia perante a irresponsabilidade de quem governa. Apenas para relembrar, o assunto que mais debati era a incompet√™ncia pol√≠tica dos nossos autarcas e do governo central, cuja desastrosa actua√ß√£o nos trouxe √† presente situa√ß√£o. Face √†quilo que escrevi, o que na realidade aconteceu foi precisamente o oposto da minha inten√ß√£o: as pessoas de Riachos cederam totalmente ao demag√≥gico palavreado eleitoral e deram ao actual autarca uma confort√°vel maioria, al√©m de darem ao actual governo mais um mandato. Pensava eu que actuando localmente, podemos mudar as coisas globalmente, mas pelos vistos n√£o resulta. Resta-me o consolo de ter feito o poss√≠vel, que foi igual a nada, embora fique de consci√™ncia (muito) tranquila: por mim, ningu√©m estaria sentado na Assembleia da Rep√ļblica, nem na C√Ęmara Municipal. Quem lhes confiou os lugares que se aguente e assuma o voto que fez. Subiram taxas municipais? Subiram impostos? Subiram pre√ßos? Subiu desemprego? Subiu o d√©fice? Tenham paci√™ncia, mas aguentem-se. Ou ent√£o fa√ßam como eu: vendam o autom√≥vel ou pe√ßam um emprestado a algu√©m, andem de transportes p√ļblicos, de bicicleta ou a p√©, habitem num quartinho alugado, contem com a caridade das vossas fam√≠lias (os que puderem), e n√£o gastem mais de 19 ‚ā¨ por dia, que √© aquilo que o Estado me d√° por estar desempregado h√° quase 2 anos. Como n√£o surge nenhuma oportunidade de emprego, aproveito para melhorar as minhas qualifica√ß√Ķes e estou a meio duma segunda licenciatura, porque pelos vistos a primeira que tirei n√£o foi suficiente. Nos empregos que tive, em nenhum deles os meus superiores hier√°rquicos era mais qualificados que eu, o que √© um problema grave na maioria das empresas portuguesas, j√° que estar mais qualificado parece ser uma amea√ßa para quem "manda".
Por tudo isto, acho que re√ļno os requisitos necess√°rios para ser um dos muitos que faz parte da chamada "Gera√ß√£o √† rasca". S√≥ n√£o pude ir √† manifesta√ß√£o por tr√™s raz√Ķes: a) tinha o or√ßamento semanal esgotado, ou seja, estava sem guito; b) n√£o acho que a express√£o "√† rasca" seja interessante; c) n√£o sei muito bem a que gera√ß√£o devo pertencer. Afinal, o que √© uma gera√ß√£o? Sem pensar muito, posso dizer que se trata de um grupo de pessoas que nasceu num certo intervalo de tempo, por exemplo na d√©cada de 50, ou 60, ou de 60 a 80, como √© o caso da designada "Gera√ß√£o X". Isto, no entanto, pode ser insuficiente, porque uma gera√ß√£o pode tamb√©m ser um grupo de pessoas com certos tipos de afinidades, sejam pol√≠ticas, art√≠sticas ou outras. A quest√£o complica-se se misturarmos ambos os crit√©rios, por isso h√° que mant√™-la simples. Nasci em 1971, logo sou um X, mas como a Gera√ß√£o X se adequa √† realidade dos E.U.A. e muito pouco √† realidade portuguesa, serei ent√£o um "√† rasca", mas como n√£o gosto de discursos de vitimiza√ß√£o, logo, tamb√©m n√£o sou "√† rasca". Se a isto juntar o facto de n√£o sentir qualquer tipo de afinidade com qualquer quadrante pol√≠tico portugu√™s ent√£o isso faz de mim um caso "n√£o quantific√°vel", ou seja, estou fora da estat√≠stica. Confesso que ainda bem, porque estat√≠sticas s√£o coisas fantasmag√≥ricas.
Em suma, Portugal tem aquilo que merece porque foi essa a escolha que a maioria das pessoas tomou. Os que dizem estar √† rasca foram os mesmos que votaram e elegeram os pol√≠ticos que agora dizem n√£o prestar. Tarde demais. Deviam ter percebido isso antes, e n√£o foi por falta de aviso nem de sintomas. A √ļnica coisa que me deixa um pouco enrascado √© o facto de o meu subs√≠dio de desemprego terminar daqui a 2 semanas, o que me impede de terminar os meus estudos e fazer o que melhor sei e mais gosto. Talvez fa√ßa como muitos portugueses e abandone o pa√≠s. Gosto do que se est√° a passar na B√©lgica. Talvez seja um local interessante, apesar de chuvoso e cinzento. Os belgas est√£o sem Governo h√° meses e ainda n√£o repararam que a vida continua, e continua sem pol√≠ticos. √Č o melhor e mais evidente exemplo de que n√£o precisamos de pol√≠ticos para absolutamente nada. J√° nos basta ter baratas e outras pragas. Existem solu√ß√Ķes alternativas a este sistema partid√°rio, mas ningu√©m tem coragem suficiente para mudar. Estamos em queda livre: a cada dia que passa este pa√≠s afunda-se em milh√Ķes de euros em d√≠vida. Se cada um dos 10 milh√Ķes de portugueses entregasse hoje ao Estado 20.000 euros, a d√≠vida p√ļblica estava integralmente paga, e ainda sobrava qualquer coisita para governar durante 2 ou 3 dias. Depois disso, se nesses 2 ou 3 dias nada fosse feito para reduzir a despesa p√ļblica, o pa√≠s come√ßaria a entrar imediatamente em fal√™ncia t√©cnica. N√£o me parece, portanto, que haja uma solu√ß√£o f√°cil. N√£o sei qual √© a proposta dos promotores do movimento "Gera√ß√£o √† rasca" como solu√ß√£o para o problema. Apenas sei que prop√Ķem a demiss√£o da classe pol√≠tica, mas isso √© muito pouco. Aconteceu em Abril de 74 e o que ganh√°mos com isso? Cada um que pense na resposta e no que possa fazer. Quanto ao meu papel, estou tranquilo com as decis√Ķes que tenho vindo a tomar, com a minha responsabilidade social, e com o meu empenho na comunidade. Gostaria que todos se sentissem assim, mas n√£o creio que isso seja poss√≠vel a menos que sacudam a √°gua do capote. Come√ßo a sentir pena de estarmos a desperdi√ßar um pa√≠s e um territ√≥rio que tem tudo para ser um dos melhores s√≠tios do mundo para se viver. Enfim, cada um que se cuide como puder, esteja ou n√£o √† rasca.

Actualizado em ( Quinta, 24 Mar√ßo 2011 11:17 )  

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