o riachense

Quarta,
08 de Fevereiro de 2023
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Joaquim Alberto

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FARPADAS – Novembro de 2011
“Se queres perder um amigo, empresta-lhe dinheiro”

 

Creio que nunca se viu tão bem a justeza deste ditado como agora. Também agora se vê que não há dívidas soberanas. As dívidas tornam quem as faz dependentes de quem empresta. Soberano é quem empresta, não é quem fica a dever.
Para podermos sair da situação de devedores, diz muita gente que é preciso união, porque “a união faz a força”. Mas união não é, nunca foi nem nunca será, unanimidade. União é diversidade de ideias, de projectos, de percursos. Não é imposição nem domínio de um pequeno grupo sobre a maioria, nem submissão da maioria a um ou vários grupos. É ter um objectivo comum, mas vários percursos para o atingir. É a possibilidade de os problemas poderem ser debatidos por um máximo de pessoas, a fim de uma grande parte, se possível a maioria, ser mobilizada na realização do objectivo comum. É a possibilidade de discutir para chegar a acordo(s), não é discutir por discutir. É a possibilidade de discutir para encontrar soluções colectivas, que mobilizem. Para isso é preciso grande capacidade de diálogo, capacidade para compreender os pontos de vista diferentes, capacidade de colaborar com os outros e não apenas capacidade de se impor. Infelizmente, não vejo esta capacidade neste governo, nem nos outros que o antecederam. Os governos, não só têm endividado Portugal financeiramente, como nada têm feito no sentido de melhorar a participação democrática dos portugueses.
Creio que esta crise foi muito benéfica, porque veio interromper um ciclo de endividamento que, a manter-se, poderia mais tarde não ter solução. Com a crise, talvez mude a atitude das pessoas. Como não podemos continuar a estragar dinheiro, porque o tempo do crédito fácil e barato acabou, para podermos continuar a viver em comum é preciso ter ideias e projectos.
A primeira ideia a reter é que todas as pessoas têm que mudar de atitude. Porque um país é constituído por pessoas. Se as pessoas não mudarem, o país nunca mudará. Não foram só os políticos que fizeram dívidas para os outros pagarem, foram os dirigentes dos clubes desportivos, sempre pressionados pelos sócios, foram os empresários, foram as famílias… Infelizmente, apesar desta crise, ainda há muita gente que acredita no crescimento contínuo. Temos de acabar com a ideia de que podemos ter sempre cada vez mais. Porque o crescimento contínuo nunca existiu nem nunca existirá. A períodos de crescimento, sucedem-se sempre períodos de recessão. O que é preciso é ser capaz de os prever e de os preparar. E é isso que distingue os políticos excepcionais dos políticos normais. A única coisa que pode ter sempre crescimento contínuo é ser cada vez melhor. O objectivo de uma sociedade tem de ser este: ser cada vez melhor. O objectivo de ter sempre cada vez mais é um objectivo falso e que conduz sempre a crises parecidas com esta, a perdas de soberania devidas ao endividamento excessivo.
Também não compreendo as reticências da União Europeia na ajuda ao pagamento das dívidas dos países mais pobres. A União Europeia contribuiu muito para o endividamento. Porque os apoios que eram dados, nunca eram nem são a cem por cento. Era preciso sempre arranjar o dinheiro em falta, para poder utilizar o dinheiro que era dado. De outro modo, o dinheiro regressava a Bruxelas, e isso aconteceu muitas vezes, não por falta de necessidades nem de projectos, mas por faltar o dinheiro necessário à contraparte.
Também há quem diga que são os socialistas que fazem as dívidas. Em Portugal há duas regiões autónomas. Uma, os Açores, é dirigida pelos socialistas. Não consta que tenha uma dívida incomportável. A outra, a Madeira, sempre foi dirigida pelo PSD. Tem uma dívida que a Madeira nunca conseguirá pagar. Vai ter que ser o continente a pagar a dívida da Madeira. Por isso, talvez não seja verdade que são só os socialistas que fazem as dívidas.
Também não foram os trabalhadores que ganham o salário mínimo nem os pensionistas que recebem a pensão mínima que endividaram o Estado. O salário mínimo, que agora é de 485 euros, aumentou, descontando a inflação, desde 1974, apenas 88 euros, isto é, aumentou apenas 2,44 euros por ano. A pensão mínima aumentou 38 euros, isto é, aumentou 1 euro por ano. A única coisa que tem vindo sempre a aumentar muito é o desemprego.
Portugal sempre teve e continua a ter um grande problema é com os ricos.
Há ricos de três qualidades:
1 – os que só sabem gastar aquilo que herdaram. Aplica-se a estes o ditado popular “pai rico, filho nobre, neto pobre”.
2 – os especuladores. Que tão depressa ganham muito dinheiro como o perdem em seguida. Jogam na bolsa e em tudo o que faça ganhar dinheiro facilmente. Mas nunca investem o seu dinheiro em nenhum projecto produtivo.
3. felizmente, também há ricos que são trabalhadores, investidores, empreendedores. Mas infelizmente, no caso de Portugal, são muito poucos. É por isso que o Estado em Portugal tem que se substituir aos ricos para que haja actividade económica suficiente. Sem isso, o desemprego seria ainda muito maior.
Outra ideia é que só é possível sair da crise pelo lado do trabalho e não pelo lado do descanso.
Mas para aumentar e melhorar a produção, não há dinheiro, porque o dinheiro dos ricos está bem guardado, e o Estado não tem dinheiro para investir.
O crédito é como o vinho: - deve ser usado com moderação.
Como agora não há crédito, nem mesmo com moderação, só podemos aumentar e melhorar a produção pelo lado do trabalho.
Para diminuir as importações de alimentos e a consequente dependência externa, que tal se voltássemos à horta familiar?
Para diminuir as importações de petróleo, que é o produto que mais contribui para a dívida externa, que tal se nunca mais fôssemos ao café de carro? Se as nossas crianças, sempre que possível, fossem a pé para a escola? É “de pequenino que se torce o pepino”.
Para poupar água potável, que tal se todos nós mijássemos quando estamos a tomar duche? Já pensaram nos milhões de litros de água que seriam poupados por ano no autoclismo, só com esta atitude?
Pela sua saúde e pela sua carteira, sempre que possível, ande a pé.
Se a crise fosse devida à falta de dinheiro, a primeira coisa que teria acabado seriam os salários enormes, e eles não acabaram, mesmo sem serem merecidos pelos que os recebem.
Desde o 25 de Novembro de 1975 que, quer o PSD quer o CDS tentaram implementar as medidas que agora estão a aplicar sem nunca o conseguirem. Para eles, esta crise foi uma bênção do céu. Já podem fazer o que sempre quiseram.

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