o riachense

Quarta,
08 de Fevereiro de 2023
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António Mário Lopes dos Santos

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Aos Porcos Dá-se Lavadura

 


Não sei o que faria se fosse director dum órgão de informação concelhio, ante a confissão do presidente socialista da Câmara Municipal de Torres Novas, de que o único jornal local que lê é O Almonda – os outros não passam de pasquins –, porque o recebe em casa. Talvez começasse a enviar-lho, gratuitamente, enquanto ocupar o respectivo cargo, para lhe dar a oportunidade de conhecer um pouco mais da opinião democrática concelhia e não se reter à monocórdica apologia do seu poder pessoal em que se foi transformando nos últimos anos o hebdomadário predilecto.
Não sei se me riria, certamente que sim, ante a mentira de que não lê os outros, a que chama «pasquins», o que ele, como actual professor do ensino superior tecnológico muito bem deve saber, desmente, já que só se define o que se conhece, só se agride e tenta ofender o que origina alergias mentais ou linguagem de caserna o que se lhe coloca no caminho: as pedras duras da realidade.
Mas não me calaria ante a bacorada.
Um qualquer António Rodrigues pode dizer o que lhe apetece. Mas António Rodrigues, presidente da Câmara, não pode usar os processos de Nero que incendiou Roma para compor uma ode e, temeroso à posteriori das consequências, acusou os cristãos desse crime, abrindo os processos para a sua execução nos coliseus italianos. Se António Rodrigues não é democrata, é com ele. O cargo que ocupa, quanto a mim mal, deve-o à democracia. E a regra fundamental da democracia é o pluralismo.
Percebe-se, até por relação familiar, as razões da sua opção de leitura. E que tenho optado, para seu principal assessor, o antigo director interino desse semanário, após o «empurrão», nunca clarificado publicamente, ao ex -director Dr. Bento Leão.
Talvez seja a contrapartida, pergunto-me, duma célebre reportagem por aquele feita em Timor, com curiosa fotografia de equipa de trabalho autárquica no citado semanário? Se é certo que são inexplicáveis os desígnios do Senhor, como se afirma na Igreja, não é menos certo o Segredo, por vezes bem pouco ético, com que os homens se disfarçam em Seu Nome.
Rodrigues faz-me lembrar três personagens shakespearianas da política nacional e uma outra, europeia: Cavaco Silva, que não lia a imprensa, raramente se enganava e tudo sabia; Alberto João Jardim, que subsidiava governamentalmente um jornal para lhe fazerem, desde o horóscopo ao elogio, criando a mística do Salvador da Madeira; José Sócrates, que tinha quem lesse por ele e lhe escrevesse a apologia do empreendorismo do crescimento que deu nisto; e, na Europa, Berlusconi, que, apesar do seu monopólio da imprensa e televisão, está no fim da sua carreira política, sem que alguém o tente auxiliar a não ir ao fundo com o seu império mediático e os seus abusos de alcova.  
As três figuras nacionais são altamente responsáveis pela situação crítica a que este país chegou. Berlusconi, o símbolo decadente duma Itália que ainda vive da aliança entre Mussolini e a Democracia Cristã, com a atenção protectora da Mafia.
Mas como o segredo é a alma do negócio, e a justiça portuguesa tem como espelho os casos da Casa Pia, do BPN, de Isaltino de Morais e a telenovela que agora começou intitulada Face Oculta, não sei se alguma vez se saberá como essas três figuras nacionais foram, com a intervenção política, carreando para os seus bens familiares o que a formiga faz durante o verão para sobreviver no Inverno.
Como a economia paralela representa vinte e tal por cento do Produto Interno Bruto, também as fortunas de certos políticos têm pouco a ver com as declarações dos seus bens que o Tribunal Constitucional recolhe sem investigar a veracidade.
Aos porcos dá-se lavadura, também afirmou o presidente da Câmara de Torres Novas dos jornais, senhores directores, que dirigem.
Para quem assume tanta ignorância sobre o que na imprensa concelhia se escreve, a linguagem de sarjeta com que classifica os que lhe não lambem as botas demonstra como a bílis lhe azeda o sangue por aquela não lhe ir colocando as placas auto elogiosas com que procura comprar a eternidade terrena do seu nome, mas antes vir a público questionar-lhe não só a obra, mas também os custos, os gastos principescos, as viagens à Mário Soares, os preços finais das obras realizadas ante o aprovado em concurso, o descuro do ambiente, o abandono das freguesias rurais, a indiferença ante a destruição dos centros médicos, das valências hospitalares, a aceitação do pagamento nas SCUTS, a consciente não aprovação do PDM, que permitiu tantos anos de anarquia urbanística, o não cumprimento dos prémios que as suas Câmaras criaram, mas não pagaram, como os dois infelizes prémios Maria Lamas, o recente e o anterior, de poesia.
De facto é essa a lavadura que há mais de duas décadas se foi dando aos munícipes. Com uma diferença essencial: estes pagam bem caro a que comem, ao passo que António Rodrigues come a que é paga por aqueles que não têm possibilidade económica de a comer nos restaurantes que frequenta.
Talvez por isso, senhores directores da imprensa considerada pasquim, eu, simples colaborador pasquineiro, não deixo que o rei continue nu sem que ninguém lho diga.

 

 
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