O riachense

Domingo,
05 de Setembro de 2010
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Entrada Cultura Página do diário de um médico

Página do diário de um médico

28/04/2010

Estamos o país mais desfeito. Dos últimos quarenta anos.
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24/02/10

24/02/10Sentava-se diante de mim. As mãos cruzadas sobre os joelhos. E o olhar tranquilo dos homens bons. De seis em seis meses, uma revisão de rotinas. As análises habituais.

Actualizado em ( Quinta, 25 Fevereiro 2010 16:42 )

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07/10/09

07/10/09Andava uma mãe preocupada. Porque o filho com pouco mais de vinte anos. A estudar na universidade da abeira. Lá para os lados da Covilhã. Só raramente telefonava. E ele que até gostava de escrever. De vez em quando uma carta amiga. Aos poucos se fora tornando silencioso e de poucas falas. Nem mesmo o telemóvel. Era usado com a mesma frequência. Aqui para os lados de Torres Vedras. A falar da saúde. A saber dos pais. A dar conta dos estudos. E o que era mais estranho. Deixara de pedir. Reforços de dinheiro. Até há uns meses muito frequentes. Estava assim a mãe num grupo de amigos. Dando conta das suas preocupações. Quando lhe lembraram que fosse até lá. Afinal agora era um instante. Que isto das auto-estradas mudam o tempo das viagens… E os pais lá foram. Na semana seguinte quando nos encontrámos. A mãe de lágrima no olho. O pai com o ar sério de todos os pais. Deram conta do estado do filho.
Apaixonara-se por uma mulher mais velha. Com quarenta anos. Viviam juntos e diziam-se muito felizes.
Um rapaz tão jeitoso. E ela tão mais velha.
Então um amigo nosso. Com um ar tranquilo. Disse acalmando a D. Adelaide. Que nisto do amor nem tudo é mau. E uns anos a mais hoje em dia. Não quer dizer nada. Afinal, disse o meu amigo. Não diz o povo que a galinha velha é a que faz a melhor canja?
E assim sossegou as rugas preocupadas da D. Adelaide e do marido Roberto.

Actualizado em ( Quinta, 25 Fevereiro 2010 16:42 )

10/09/09

10/09/09

Há pouco tempo. Apareciam por todo o lado os antifascistas. Era um hino de glória. Terem passado pelos calaboiços da Pide. O sangue desses homens.

As horas de solidão nas cadeias do Tarrafal. Ou no forte de Caxias. Ou o silêncio dos gabinetes de tortura de António Maria Cardoso. Ficaram como um monumento. À reconquista da liberdade. Os anos passam. Os mais novos nem sabem o que foi a Pide. Mal sabem o que foi o 25 Abril. A reconquista de liberdade de escrever. Renasciam os cravos. Hoje. Aqui e acolá surgem limites ao sonho. Dizer tudo é às vezes impossível. Falar de tudo não é fácil. Os cravos de Abril. As baladas de José Afonso. Os sonhos de Salgueiro Maia. Secam como flores em jarra de jazigo. Portugal ao esquecer o passado. Faz o que está à vista. Não revela capacidade. De desenhar o futuro.

 

Actualizado em ( Quarta, 23 Setembro 2009 17:21 )

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